NEUROFTALMOLOGIA

Algumas alterações na visão podem ser causadas por doenças neurológicas (no sistema nervoso central) ou sistêmicas. Umador de cabeça, quando causada por problemas na visão, por exemplo, pode ser sinal de doença neurológica; assim como a baixa visão, diminuição dos campos visuais, alteração do tamanho da pupila, visão dupla, estrabismo, queda de pálpebra, sensação de blecaute, fotofobia, balanço no olhar (nistagmo) ou alteração na visão das cores. Essas alterações podem indicar tumores cerebrais benignos, que tem como consequência a compressão de áreas nobres, como: aneurismas, adenomas de hipófise, suspeita de hipertensão intracraniana, infecções virais, bacterianas e parasitárias, além de doenças autoimunes (como a esclerose múltipla). Acarretam, também, problemas ao nervo óptico e outras áreas do sistema visual. Acidentes vasculares cerebrais e tromboses podem levar à perda súbita da visão; já uma
possível queda das pálpebras deve-se à miastenia grave (comprometimento da comunicação entre os nervos e os músculos).
A Neuroftalmologia atende a pacientes da Oftalmologia e da Neurologia. O especialista da área é o neuroftalmologista, que tem conhecimentos sobre os problemas do globo ocular, cérebro, nervos e músculos. Sua formação específica dura, no mínimo, cinco anos, além do curso de Medicina. Ele está preparado para examinar, avaliar, diagnosticar e tratar pacientes com essas alterações neurológicas.
Para que o diagnóstico seja preciso, é essencial que o paciente passe por um rigoroso exame. Durante a consulta, o paciente precisa relatar, além da queixa atual, todo o
histórico médico, internações anteriores, cirurgias, doenças graves, problemas de saúde em membros da família e alergias medicamentosas. É realizado teste de campo visual e de força, sentidos e coordenação. Se for necessário, o especialista ainda poderá pedir exames de ressonância anteriores, dependendo do caso. 

É importante observar o preparo necessário para se submeter a uma consulta de avaliação com o neuroftalmologista:

1 — Solicitar ao médico que está encaminhando informações que sejam importantes para avaliação do neuroftalmogista: resultados prévios de exames laboratoriais, alterações ao exame físico inicial e alterações observadas em exames de imagem (tomografia computadorizada e ressonância magnética).

2 — Se já foram realizados exames de imagens, reunir os mais recentes e levar para a consulta com o neuroftalmologista.

3 — Provavelmente, para a realização do exame, sua pupila será dilatada. O efeito do colírio permanece em média 5 horas. Por isso, se possível, levar um acompanhante e óculos escuros.

4 — Levar para a consulta uma lista completa de medicamentos usados que tenham sido introduzidos após o problema ter iniciado: nome, dosagem e tempo de uso são informações importantes. Após a avaliação dos exames realizados, o diagnóstico será discutido pelo neuroftalmologista para verificar a necessidade de exames complementares, além de tratamentos adequados.

Cuidados com as crianças!

Principalmente se for um bebê! Devem ser observados, pois alguns comportamentos podem indicar doenças neurológicas. Se, quando a criança está mamando, o olhar não fixa ou se não consegue olhar para mãe, se tiver estrabismo ou queda de pálpebra, se existe diferença no tamanho da pupila e na cor da íris; se ela não acompanhar os objetos e não reagir à luz e tiver convulsões, é importante procurar o neuroftalmologista. Antes de o bebê completar um mês de vida, com histórico familiar e/ou suspeita de alterações neurológicas, deve-se fazer exames de prevenção e investigação: exame oftalmológico completo e testes do olhinho e neuroftalmológico. Testes de prevenção e exames eletrofisiológicos são importantes tanto para crianças quanto para adultos, sendo necessários para garantir a eficácia do diagnóstico precoce e do tratamento. Os neurologistas, pediatras e, principalmente, os oftalmologistas devem encaminhar seus pacientes ao neuroftalmologista, caso suspeitem de alguma alteração visual. Essa atitude ajuda na detecção precoce da doença.

Se você tem mais de 15 ou 20 anos de idade, ou conhece alguém nesta faixa, deve fazer um exame de campo visual, como referência. Não deixe para procurar o médico somente quando estiver sob suspeita de uma doença mais séria!

Fonte: Conselho Brasileiro de Oftalmologia