VISÃO SUBNORMAL

O termo visão subnormal, ou baixa visão, é empregado quando há diminuição irreversível da visão apesar de tratamentos pertinentes ao problema visual e uso de óculos para correção de grau. No entanto, há visão que, ao ser utilizada funcionalmente, permite o planejamento e realização de tarefas. Se forem consideradas as categorias da OMS, a baixa visão corresponde às deficiências visuais binoculares moderada e grave na CID-10 e leve, moderada e grave na CID-11.

A cegueira, de acordo com a OMS, é quando há no melhor olho a acuidade visual abaixo de 0,05 (ou 20/400).

PANORAMA E CAUSAS DE DEFICIÊNCIA VISUAL NO MUNDO

Apesar do avanço tecnológico das terapias para as doenças oculares, a deficiência visual continua presente em importante parcela da população mundial e em todas as faixas de idade. Bourne et al (2017) observaram, com base em dados mundiais no ano de 2015, que:

• 188 milhões de pessoas apresentavam quadro de deficiência visual leve;
• 253 milhões de pessoas apresentavam quadro de deficiência visual (população composta por 217 milhões de pessoas com deficiência visual de moderada a grave e 36 milhões com cegueira);
• 89% das pessoas com deficiência visual encontra-se nas regiões mundiais com menor desenvolvimento social e econômico;
• 75% dos casos de deficiência visual são evitáveis (por prevenção ou tratamento).

As principais causas mundiais de deficiência visual (cegueira + deficiência visual moderada e grave) irreversível são: degeneração macular relacionada à idade-DMRI, Glaucoma , opacidades de córnea e retinopatia diabética.

A prevalência de doenças oculares que levam ao comprometimento da resposta visual cresce com o avanço da idade e taxas maiores de cegueira e baixa visão são observadas com o aumento da vida média da população. As principais causas mundiais de deficiência visual estão relacionadas à população idosa, como por exemplo, a catarata não operada, o glaucoma, a degeneração macular relacionada à idade e a retinopatia diabética.

Deficiência visual na infância

De acordo com a Agência Internacional de Prevenção à Cegueira (2017), a faixa de idade de 0 a 19 anos, responde por 3,35% dos casos de deficiência visual observados globalmente. Estima-se, mundialmente, uma população 19 milhões de crianças, abaixo de 15 anos de idade, com deficiência visual. Desses casos, 12 milhões são decorrentes de ametropias não corrigidas e 1,4 milhões apresentam quadros de cegueira irreversível, o que pode implicar em 75 milhões de anos com a cegueira, equivalente à cegueira mundial por catarata, se considerado o tempo de vida com a incapacidade (DALY – disability adjusted life year). Dos 500.000 casos novos de cegueira na infância, estimados a cada ano, 60% vão a óbito nos primeiros anos de vida por causas evitáveis nas regiões menos desenvolvidas do mundo.

Nos países em desenvolvimento, a deficiência visual na infância ocorre, principalmente, em decorrência de fatores nutricionais, infecciosos e falta de tecnologia apropriada. Nos países com renda per capita intermediária, as causas são variadas e observa-se a retinopatia da prematuridade como causa emergente de cegueira, com maior prevalência nos países da América Latina e leste europeu. Doenças degenerativas retinianas, doenças do sistema nervoso central e anomalias congênitas são observadas nos países desenvolvidos.

Haddad et al (2007) observaram as seguintes causas de deficiência visual em uma população infantil com deficiência visual, sem outras deficiências associadas, atendida no Serviço de Reabilitação Visual/ Visão Subnormal da Clínica Oftalmológica do Hospital das Clínicas e na Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual: retinocoroidite macular bilateral por toxoplasmose congênita (20,7%), distrofias retinianas (12,2%), retinopatia da prematuridade (11,8%), má-formação ocular (11,6%), glaucoma congênito (10,8%), atrofia óptica (9,7%) e catarata congênita (7,1%).

Fonte: Sociedade Brasileira de Visão Subnormal